Massagem em Gestantes e Puérperas

Massagem realizada de acordo com os princípios do Ayurveda 
para o bem estar e segurança da gestante e do bebê.


A gestação é um tempo muito especial na vida de qualquer mulher. Um momento de muitas mudanças: corporais, emocionais e espirituais.

Essas mudanças vão acontecendo às vezes lentamente e às vezes nem tanto, no decorrer de toda a gestação.

As mamas se modificam, a barriga vai crescendo... Na medida em que o bebê se desenvolve, os órgãos vão se acomodando para dar espaço para o bebê. O eixo corporal se modifica, as articulações ficam mais flexíveis e algumas delas ficam sobrecarregadas com o aumento do peso corporal. A coluna precisa ser realinhada. Sem falar na constante dança dos hormônios.

O corpo todo precisa encontrar uma nova maneira de estar no mundo.

E isso acontece ao mesmo tempo em que modificações vão acontecendo também na sua psique.

Afinal, nada acontece no corpo que não se reflita na mente e vice versa.

Quantas mudanças! Quantos movimentos!

Momentos de fragilidade, insegurança, introspecção... Momentos de força, alegrias e confiança...

E na medida em que as semanas avançam, novas inquietações com relação ao parto e à maternidade...

Neste mundo civilizado, urbano, onde não temos tempo para parar, nem mesmo quando estamos gestando uma vida, é preciso ao menos abrir uma brecha, criar um momento sagrado, de interiorização. Um momento em que a gestante possa estar consigo mesma. Um momento para cuidar não só do seu corpo, mas também da sua alma.

A massagem para as gestantes é uma oportunidade para que se crie essa brecha.

Contudo, é preciso conhecimento para que a massagem seja para o seu bem e não lhe cause nenhum mal. 

A massagem feita de acordo com os princípios do Ayurveda, respeitando a individualidade de cada uma e usando os óleos adequados enriquecem mais ainda este momento, proporcionando a harmonização do Ser como um todo.

Mas se a massagem não for realizada com conhecimento, pode causar desarmonia nos doshas da gestante provocando desequilíbrio para a mulher e seu bebê. 

Se o dosha Vata for aumentado durante a gestação, a criança poderá nascer com um desequilíbrio em sua constituição básica e apresentar sintomas como insônia, choro sem motivo, insegurança, dores, cólicas e gases...

A maioria das gestantes procura a drenagem linfática durante a gestação para evitar edemas e cúmulo de líquidos. Muitas massoterapeutas e fisioterapeutas oferecem essa técnica. Mas cuidado! Informe-se melhor. De acordo com o Ayurveda, a drenagem não é indicada, pois não devemos interferir mecanicamente na forma como cada corpo vai equilibrar o fluxo dos seus líquidos aumentados. E este não é um momento adequado para desintoxicação. Esse é um momento de nutrição. Então existe uma maneira adequada para oferecer esse cuidado sem causar prejuízos neste momento tão especial.

Com o nascimento do filho, as mudanças não param.

A amamentação, as mudanças fisiológicas naturais do pós-parto, a recuperação do processo de trabalho de parto e parto. O dispêndio de energias para cuidar do novo ser, adaptações e readaptações conjugais e familiares...

Essa mulher precisa ser cuidada, nutrida, para que possa cuidar e nutrir seu filho.  Neste momento a massagem também se apresenta como um recurso de extrema importância, oferecendo relaxamento, nutrição, equilíbrio e momentos de introspecção.


Alguns Benefícios:
  • Desenvolve a consciência corporal e sensorial
  • Alivia a sobrecarga nas articulações de suporte de peso
  • Alivia dores corporais resultantes da mudança postural (lombar, nervo isquiático...)
  • Alivia as tensões
  • Auxilia no realinhamento postural
  • Auxilia na diminuição de edemas
  • Ajuda na circulação sanguínea e linfática (sem que se utilize a drenagem)
  • Diminui os desconfortos comuns resultantes dos arranjos físicos
  • Tonifica e hidrata a musculatura
  • Previne a formação de estrias
  • Ajuda a quietar a mente
  • Equilibra os doshas (de acordo com o Ayurveda)
  • Promove nutrição dos tecidos
  • Promove um relaxamento profundo físico e mental
  • Promove a oportunidade de conexão consigo mesmo
  • Promove a oportunidade para que cada mulher encontre seu próprio equilíbrio físico, energético, mental e emocional.
  • Favorece o aprofundamento do vínculo mãe/bebê
  • Ajuda na preparação para o parto
Angelica Pio

Terapia Ayurveda

O objetivo do Ayurveda é a saúde e a longevidade.

Para que possamos aproveitar melhor a nossa encarnação. Viver mais e viver com qualidade de vida e bem estar, com tempo e vitalidade para podermos nos realizar em todos os sentidos.

Mas o que é saúde?

Em 1946, a OMS nos trouxe este conceito: "A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade.
Gozar do melhor estado de saúde que é possível atingir constitui um dos direitos fundamentais de todo o ser humano, sem distinção de raça, de religião, de credo político, de condição econômica ou social"

Essa também é a visão do Ayurveda. A saúde é vista de forma ampla, abrangendo a harmonia e equilíbrio dos diferentes aspectos da nossa vida: físico, mental e espiritual.

Ela se manifesta quando existe o equilíbrio dos seus princípios vitais (doshas), a desobstrução dos canais internos (ausência de ama), a presença de um fogo digestivo equilibrado, a formação de dathus (tecidos que constituem o corpo físico) saudáveis com funcionamento adequado e um eliminação adequada dos malas (excreções). Também quando experimentamos alegria, serenidade e clareza mental.

O Ayurveda ensina que a principal causa da manifestação das doenças é o desequilíbrio dos doshas. Isto é, quando há excesso de um ou mais doshas.

Para facilitar a compreensão de como ocorre esse processo, o Ayurveda fala dos seis estágios da manifestação das doenças.

  1. Acúmulo – quando inicia o aumento de um ou mais de um dosha. Percebemos que algo não está bem devido a sintomas de mal estar. Esse acúmulo acontece em lugares específicos, que conhecemos como a casa natural de cada um dos três doshas.
  2. Agravamento – Se nada for feito para interromper o desequilíbrio em andamento e harmonizar os doshas aumentados, eles entrarão num processo de agravação e tem início a manifestação de sintomas mais concretos e de maior desconforto.
  3. Disseminação – Se o agravamento não for resolvido, os doshas agravados serão disseminados para outras partes do corpo.
  4. Localização – após a disseminação, os doshas agravados vão se mover e se acumular nos pontos mais vulneráveis do nosso corpo / mente.
  5. Manifestação – Neste estágio a doença se manifesta e pode ser detectável e mensurável pela medicina convencional (exames físicos e clínicos).
  6. Complicação – O estágio seguinte é a complicação e agravamento da doença.

O equilíbrio dos doshas é dinâmico e a sua manutenção é um cuidado que devemos ter todos os dias.
Os doshas podem entrar em desequilíbrio por diversos motivos: alimentação inadequada, alterações de clima, modificações no meio ambiente, viver em situações e lugares inadequados, pensamentos pessimistas e repetitivos, emoções densas a que estamos expostos e/ou alimentamos...

O terapeuta ayurveda pode ajudar a detectar os possíveis desequilíbrios e suas causas e propor orientações para que cada um possa manter seu equilíbrio, evitar a doença e viver de acordo com a sua essência.

O que faz um terapeuta ayurveda?
   
O terapeuta não trata a doença. Ele cuida da pessoa.
       
Ele pode detectar o possível desequilíbrio dos doshas nos seus estágios iniciais, antes que a doença se manifeste e se instale.
       
Quantas vezes sentimos um mal estar e consultamos um médico ou mesmo procuramos uma emergência e após a realização de exames clínicos e de laboratório ouvimos: “seus exames estão bons, não mostram nenhuma alteração, volte para casa, descanse e se o quadro piorar, retorne”. É comum que digam que o mal estar deve ser uma virose. Ou orientam a procurar um psicólogo pois deve ser um problema emocional ou muito estresse...
       
Nós percebemos que algo não está bem. Sabemos que tem algo em desarmonia. Mas como não existe uma doença concreta se manifestando, como não existe ainda lesão em nenhum órgão, os médicos não sabem como nos ajudar.
 
O terapeuta ayurveda sabe!
     
Ele pode fazer um diagnóstico ayurvédico dos desequilíbrios orgânicos e detectar as desarmonias dos princípios vitais – doshas.
 
Desta forma pode auxiliar a pessoa a reconquistar seu estado de bem estar com diversas orientações práticas sobre sua rotina diária, alimentação e indicações de terapias ayurvédicas adequadas.
   
Quando a doença já está instalada e já temos lesões orgânicas, precisamos do médico, que vai tratar a doença. Mas ainda a atuação do terapeuta ayuvédico é importante para cuidar da pessoa como um ser inteiro, muito além da doença em questão. Isso possibilita que o processo de cura seja mais rápido e também que não haja futuras recaídas.
 
O principal papel do terapeuta é o de prevenção, detectando os desequilíbrio e orientando a pessoa para que ela reencontre a sua harmonia interior e mantenha sua saúde.
       
Mas o papel do terapeuta ayurvédico vai além.
 
A terapia ayurveda pode nos ajudar no nosso processo de autoconhecimento e nos ajudar a ter uma saúde vibrante e viver uma vida plena de vitalidade e realização. Muito além de “não estar doente ou não ter mal estar”.

O Ayurveda cuida da pessoa levando em consideração o tripé: corpo, mente e espírito.

Por isso dizemos que a terapia ayurveda é holística e sistêmica. Mais ainda: é uma arte! E também é educativa, nos ensinando A ARTE DE VIVER!

Aconselhamento

O Aconselhamento é uma área de atuação normalmente exercida por psicólogos, orientadores educacionais, filósofos e assistentes sociais.
Na nossa língua, a palavra aconselhamento naturalmente é associada à palavra aconselhar e, por isso, pode ser mal interpretada. 

O objetivo deste trabalho não é dar conselhos ou opinar na vida de ninguém.

Este é um serviço de apoio, que se distingue da Psicoterapia pelo fato de não tratar das psicopatologias do comportamento.

Precisamos ainda distingui-lo da Psicopedagogia, cujo objetivo é tratar das dificuldades de aprendizagem, de forma preventiva e terapêutica.

O objetivo do Aconselhamento é ajudar as pessoas a se conhecerem melhor, desenvolverem seus potenciais, fazerem escolhas adequadas para a sua vida e administrarem com sabedoria os momentos de crise e estresse.

Nós somos os autores da nossa história.

Somos capazes de construir a nossa vida a partir do que recebemos dos nossos pais, familiares, educadores... das pessoas que influenciaram na nossa formação e, muito especialmente, a partir da essência que trouxemos ao nascer.

Mas essa construção não é tão fácil.

Vivemos num mundo que não favorece a nossa necessidade de introspecção e não respeita os nossos ritmos e premências pessoais. Somos bombardeados por um excesso de informações que não temos nem sequer tempo de digerir e assimilar. Difícil fazer opções num mundo rápido e cobrador, onde o que importa é a imagem e a produção.

Além disso, nossa vida é feita de muitas “passagens” que marcam a transição de uma fase do nosso desenvolvimento para outro. São momentos de crise, muito ricos, oferecendo a oportunidade de amadurecimento, se forem bem vivenciados.

Desde muito cedo passamos por experiências fortes, que podem nos tirar de uma condição estabilizada, como o nascimento de um irmão, a entrada na escola, uma possível dificuldade de adaptação ao colégio escolhido pelos pais... depois a chegada da adolescência, as primeiras relações amorosas, a escolha da profissão, casamento, separações, a chegada dos filhos, aposentadoria...  


Sem falar nos acontecimentos imprevisíveis que fazem parte da nossa condição de seres humanos.

Todas essas situações são ricas em possibilidades. Elas podem ajudar a nos conhecermos melhor e a dar um impulso no nosso crescimento e desenvolvimento pessoal.  Se as crises forem bem vivenciadas, oferecerão possibilidade do amadurecimento que nos tornarão cada vez melhores. Isso às vezes é mais fácil... às vezes mais difícil...

E o estresse tão comum no nosso dia-a-dia? Estamos sabendo lidar com ele? Ou vamos vivendo cada dia, empurrando com a barriga, para ver se aguentamos mais um pouco?

Nos momentos em que a caminhada fica mais difícil, podemos contar com o serviço de Aconselhamento. O aconselhador nos ajudará a olhar com maior neutralidade e a ver com mais clareza nossas situações pessoais, dentro de um contexto mais amplo, para que possamos fazer opções mais conscientes que nos ajudem a sermos mais plenamente NÓS MESMOS!

Benefícios que podemos encontrar no Aconselhamento:
· Autoconhecimento
· Desenvolvimento das potencialidades
· Desenvolvimento sadio da personalidade
· Melhora a auto-estima
· Desenvolvimento da criatividade
· Orientação Vocacional
· Manutenção do estresse
· Solução de problemas
· Passagem mais tranquila pelos momentos de crises existenciais
· Passagem mais tranquila pelas crises previsíveis e normais do desenvolvimento individual
· Elaboração mais serena dos diversos lutos que passamos na nossa existência


Angelica Pio

Terapia Holística e Terapia Alternativa

O que é a terapia holística?

Quem é terapeuta holístico?


O que é terapia alternativa?


Vejo que muitos terapeutas se atrapalham para definir sua própria profissão.
Então aqui vão umas idéias para pensar...


Nem toda terapia alternativa é terapia holística.


Nem todo terapeuta alternativo é um terapeuta holístico.

Podemos usar técnicas alternativas e não ser um terapeuta holístico.


Terapia alternativa é a terapia que usa técnicas e procedimentos que são alternativos à medicina convencional. 


O fato de atuar como terapeuta floral, massoterapeuta, radiestesista, ou mesmo como terapeuta homeopata não garante que se está fazendo Terapia Holística. 


A terapia holística se serve de técnicas alternativas, mas não deve ser confundida com ela.


Holos vem do grego e significa “completo", “inteiro”. 


Holismo é uma maneira de ver e compreender o ser humano, o mundo e a vida como um todo integrado e organizado. 


A medicina alopata se ocupa das doenças e seus sintomas. Com as suas especializações, trata cada parte do corpo humano sem ver e tentar entender o SER que nele habita. 


Nesse modo de tratar, não são consideradas as diferenças individuais. O paciente não é visto como um SER que tem emoções, família, amores, desejos... que tem uma história! 


Analisa-se sintomas: dores, insônia, desânimo, tristeza, falta de atenção... 


Fazem-se um diagnóstico: reumatismo, depressão, ATM, DDA, TPM... 


Receitam-se remédios ou procedimentos que retirem os sintomas, ajudando a pessoa a dar continuidade às sua tarefas e responsabilidade diárias e viver sem dor.


Sim. Precisamos da Medicina Alopata! Ela é imprescindível!


Mas ela não está interessada na evolução desse SER que ela está tratando.


A doença tem que ser curada. É isso!


E muitas vezes a doença volta... e volta... e volta... porque o SER que está doente não foi visto. Só a doença.


As terapias alternativas podem ser utilizadas dentro desse mesmo modo de pensar, que conhecemos como cartesiano.


O terapeuta holístico tem um olhar que vai além!


Uma compreensão mais ampla.


Olha e vê este SER e todas as suas relações.


Porque analisar as partes separadas não nos mostra como é o todo.


O todo é muito mais que a soma das partes.


E nessa visão, quando se interfere numa parte, o todo é afetado. Por isso a consciência e a responsabilidade precisam estar sempre presentes.


O sintoma, dentro do holismo, é visto como uma manifestação de uma desarmonia que existe dentro do SER.


Então é preciso ter um olhar que veja o ser humano como um TODO, com corpo físico, com emoções, uma maneira de pensar própria, com um jeito seu de se relacionar com os outros... Com uma constituição energética que é só sua! E então podemos usar as técnicas que, com essa visão, vão ter uma conotação bem diferente. Não de um procedimento que tira um sintoma... mas que ajuda esse SER a se conhecer melhor e crescer... se harmonizar e sintonizar com aquilo que tem de mais puro em si mesmo... sua essência.... E poder sempre mais manifestar o propósito da sua alma.


Saúde é harmonia!


As terapias devem oferecer a oportunidade para que cada um possa alcançar a sua própria harmonia.


E para isso, é preciso olhar para o ser humano e para a vida de uma forma HOLÍSTICA.


Mas uma boa terapia alternativa, mesmo que não seja holística, pode ser de grande benefício.

Angelica Pio

Grounding e Parto


  
Como o Grouding pode ajudar a mulher 
no trabalho de parto e parto

1. Introdução
No atual movimento pela humanização do parto, quando defendemos um parto fisiológico natural, não podemos esquecer os processos psíquicos relacionados aos movimentos corporais provocados pela gestação e parto. Ao mesmo tempo em que as mudanças fisiológicas interferem no psiquismo da mulher, são influenciadas por ele. Isso resulta num processo de transformações que solicita da mulher um forte senso de realidade capaz de oferecer segurança para entregar-se e enfrentar os medos e incertezas que normalmente afloram neste período, especialmente no momento do trabalho de parto e parto. Buscamos na Bioenergética o conceito de grounding como o suporte necessário para esse momento.

2. Bioenergética
A Bioenergética é uma forma de terapia desenvolvida por Alexander Lowen e John Pierrakos. Eles iniciaram o trabalho numa parceria, em 1953, enquanto alunos de Wilhelm Reich. A parceria terminou em 1973 e cada um seguiu seu trabalho em linhas diferentes.
Lowen definiu a Bioenergetica como “uma maneira de entender a personalidade em termos de corpo e de seus processos energéticos” e como uma “uma forma de terapia que combina o trabalho com o corpo e com a mente para ajudar as pessoas a resolverem seus problemas emocionais e melhor perceberem o seu potencial para o prazer e para a alegria de viver” (Lowen e Lowen, 1977). A Bioenergética se baseia na tese de que o que acontece na mente reflete o que está acontecendo no corpo e vice e versa.
O objetivo desta terapia é levar a pessoa a entrar em contato consigo mesma através do contato com o seu corpo. Num processo de autoconhecimento, a pessoa é apoiada para que possa ir se entregando para os seus movimentos internos, dissolvendo as couraças corporais e percebendo a vida pulsante dentro do seu corpo como uma sensação de vibração, liberdade interna e alegria.
Para que isso aconteça, é preciso que o ego esteja plenamente ancorado no corpo, identificado com este corpo e sem medo de experienciar os movimentos involuntários deste corpo, como acontece no trabalho de parto e no parto.
Podemos dizer que o foco principal da Bioenergética é o desenvolvimento da respiração ampla, grounding e o desbloqueio das couraças corporais para que a pessoa possa adquirir independência, autonomia e liberdade para expressar sua própria verdade e viver a alegria plena.

a. Couraça
As couraças são tensões corporais crônicas que bloqueiam o livre fluir da energia corporal e limitam a pulsação da vida no nosso corpo/mente. Elas guardam as lembranças de situações mal resolvidas do passado, quando nossos impulsos foram suprimidos e nossas ações congeladas. Elas se desenvolveram num momento de medo para nos proteger do sofrimento e permanecem nos paralisando muito tempo depois da causa primeira ter acontecido. Para não sentirmos a dor, tencionamos inconscientemente partes do nosso corpo onde se encontram registradas as vivências que nos fizeram sofrer. A couraça nos impede de sentir a dor e também nos impedirá de sentir a alegria, de sentir a vida... Quanto mais couraças importantes tivermos mais estaremos paralisados e insensíveis ao movimento da vida. Vivemos e sentimos então de modo limitado e restrito, passando pelas experiências de modo superficial.

b. Grounding
É um conceito chave da Bioenergética. Pode ser definido com “enraizamento”. É o contato que a pessoa tem com o chão, com a terra, com seu corpo, com a sua realidade.
O grounding básico é feito através de pés e pernas fortes e energizados. Esta ênfase foi dada por Lowen. Outros estudiosos, como David Boadella incorporaram o conceito de grounding e ampliaram esta visão, mostrando que também temos outros tipos possíveis de grounding, como o grounding interno e o do olhar.
O grounding nos dá a segurança e a base para que a gente possa experimentar as pulsações e movimentos involuntários do corpo, sem medo. Com um bom grounding, não teremos necessidade de controlar nada. Seremos capazes de confiar nas nossas sensações e emoções. Confiar no desconhecido, sabendo que podemos experienciar as sensações novas sem medo de perder o controle, sem medo de morrer e capazes de entrega para o novo.

3. Movimento fisiológico durante a gestação e parto e processos psíquicos
A vida é puro movimento. Ela se manifesta através de movimentos que às vezes são perceptíveis e às vezes sutis, às vezes suaves e às vezes mais fortes. E algumas vezes chegam a ser tempestuosos. Desde a concepção até o parto, a mulher vivencia uma série contínua e incessante de movimentos diferentes dentro de seu corpo, com mudanças fisiológicas provocadas pelas alterações hormonais.
Simultaneamente, o crescimento do feto provoca o deslocamento contínuo de seus órgãos e vísceras. Esse movimento fisiológico e energético movimenta também sentimentos e emoções, fazendo aflorar lembranças, sabedorias, histórias que estão guardados dentro do corpo.
Quando o movimento alcança os registros de situações prazerosas, a sensação é de bem estar. E pode despertar saberes pessoais, ancestrais...
Quando o movimento interno alcança os registros de emoções traumáticas congeladas em couraças, o resultado vai ser o aparecimento de ansiedades, inseguranças, medos, paralisação...
Todos nós temos essas couraças. Os movimentos internos durante a gestação e especialmente na hora do parto mobilizam couraças muito profundas, pois são aquelas relacionadas com os registros de própria concepção, gestação, parto, aceitação ou rejeição e sexualidade.
Ainda temos o nosso superego, provavelmente formado por um pai e/ou mãe dominador que entrará em conflito com a vida pura e inocente que quer se manifestar dentro deste corpo grávido de Vida. As repressões, as vergonhas, os medos, as raivas... estão lá e afloram, dificultando o fluir da dança cósmica que acontece lá dentro.
A gestação é um tempo de mergulhar dentro de si e permitir que a consciência desperte e que a cura aconteça. E esse processo vai resultar numa entrega para o próprio corpo e num parto pleno de movimento livre.
Mas isso não acontece com a maioria das mulheres. Elas estão envolvidas nos seus afazeres cotidianos, especialmente com sua vida profissional e não tem o tempo nem o apoio necessário para viverem a introspecção que a gestação requer.
Muitas delas nem sabem que seria esse um tempo de parar e olhar para dentro. Acostumadas a ouvirem histórias de mulheres que falam que trabalharam até a hora do parto e frases como ”Gravidez não é doença, então viva uma vida normal!”, não percebem a vida chamando lá dentro e o chamado de atenção para os processos internos, sejam fisiológicos ou psíquicos. Não percebem os movimentos internos.
Então o parto chega com seus movimentos avassaladores. É impossível não perceber.
Não tem como controlar. Entregar-se? Como? Susto, medo... pavor... e a necessidade de controle. O que torna as dores muito maiores.
O natural seria o entregar-se, vivenciar cada contração como um mergulho para dentro de si, sintonizando com o movimento do útero, aceitando todas as sensações que brotam de dentro do seu ventre. Quando a mulher é capaz de permitir-se perder o controle da situação, permitir que as fronteiras do concreto se dissolvam e aceitar a expansão da consciência que naturalmente acontece, poderia experimentar o êxtase e transformar o parto numa experiência numinosa*, como nos fala Jean-Yves Leloup.

4. Fisiologia do Parto
Quando o bebê está pronto para nascer, novos movimentos se desencadeiam dentro do corpo da mulher. Ela entra em trabalho de parto. Aqui é importante salientar o que acontece dentro do ventre.
O útero é um músculo oco em cujo interior se desenvolveu o bebê. Na parte inferior, existe uma cavidade fechada por um esfíncter muito forte, composto de um anel de fibras musculares estreitamente tecidas umas às outras: o colo do útero.
Quando começa o trabalho de parto, sob os novos comandos de secreções hormonais, o colo começa a ceder e a dilatar-se até desaparecer completamente para que o bebê saia.  Ele vai amolecendo, abrindo-se, encurtando e estreitando-se... até desaparecer. Isso acontece através das contrações contínuas que agem de dois modos: puxando as comissuras do colo, fazendo-o abrir-se, enquanto o fundo do útero contraído empurra o bebê para baixo. A cada contração, o bebê se apoia com mais força no colo do útero. Desse modo, o colo vai progressivamente se abrindo.
Temos ainda a perda do tampão mucoso. Este é um tipo de secreção que reveste o colo e protege a cavidade uterina de infecções. Quando o trabalho de parto inicia, o tampão se desprende e desliza como um muco viscoso. E em algum momento não definido, temos o rompimento da bolsa com o líquido amniótico.
Quando o colo cede completamente e desaparece, a cabeça da criança pode passar. Agora ela deve girar num movimento de rotação sobre seu próprio eixo para encaixar-se passar pela pelve, que é um anel ósseo estreito que contém os órgãos reprodutores, a bexiga, os intestinos e o reto. Finalmente o bebê deve passar pela abertura da vagina, para poder nascer.
Todo esse processo interno acontece com a liberação de hormônios específicos produzidos pela parte primitiva do cérebro: hipotálamo, pituitária e hipófise e independe da nossa vontade. Mas pode ser prejudicado pelos processos psíquicos inconscientes e pelas interferências externas que mantêm o neo córtex da mulher ativo.

5. A importância do grounding no trabalho de parto e no parto
Vimos que o trabalho de parto e o parto são momentos onde se vivencia a experiência de se deixar contrair e expandir, abrir, desmanchar, dissolver, romper, escorrer, descer e inclusive com a possibilidade de se rasgar.
Qual o tipo de apoio que a mulher realmente precisa no momento do trabalho de parto e parto para que possa se entregar plenamente a todo esse processo? 
Como ajudar a mulher, independente de quanto de couraça ela tenha, a entregar-se para o trabalho de parto e parto? Como ajudá-la a confiar, relaxar e permitir que a natureza aja através dela para que o parto aconteça naturalmente, apesar de seus medos e inseguranças?
Além de um ambiente propício (preparado com penumbra, segurança, aconchego, silêncio...), oferecendo-lhe grounding.
Leboyer afirma que o que dificulta o trabalho de parto e o parto na maioria das vezes é o medo. E que o medo resulta da falta de informação e especialmente da falta de conexão da mulher com seu próprio corpo.
Se pudermos ajudá-la a desenvolver essa conexão durante a gestação, melhor. Mas, independente do quanto ela tenha conseguido fazer o processo, um acompanhante – uma doula ou o seu companheiro - pode ser/oferecer esse grounding.
Como?
Em primeiro lugar a pessoa que estará acompanhando a parturiente deverá ser alguém que ela confie. Alguém que por algum motivo lhe passe, com a sua simples presença a sensação de segurança. Essa pessoa deve ela mesma ter um grounding bem desenvolvido e ser capaz de estar totalmente presente. Isto é: sem pressa, sem olhar no relógio. Deve ser uma pessoa capaz de se entregar ao processo junto com a mulher, sem, no entanto, perder o contato com a realidade. Ela será a ponte entre o Mundo Interior onde a mulher parindo se encontra e o aqui agora da realidade concreta. Ela oferecerá seu contato visual, oferecendo um olhar de aceitação e apoio incondicional. O seu olhar estará dizendo o tempo todo que está tudo bem, que é assim mesmo, que ela pode confiar e viver o seu momento, pois está em segurança. Esse grounding será complementado pelos gestos que este acompanhante perceberá ser necessário para a mulher ou os que ela pedir, como o abraço, a massagem, o segurar nos pés, o toque, estímulo a expressar o seu som... O grounding oferecido por gestos, toques e olhares pode ser a maneira mais eficiente de oferecer esse aterramento necessário para que a mulher permaneça em contato com seu corpo, com seus instintos e a força da natureza agindo através dela. Para que a mulher possa não temer expressar a força selvagem e primitiva que movimenta a vida dentro de si e faz seu filho nascer, o acompanhante/grounding deve sempre trazê-la de volta ao seu corpo e a sua realidade interna sempre que ela por algum motivo sentir-se insegura, tentada ou estimulada de alguma forma a entrar no mundo mental e perder sua conexão interior.


6. Conclusão:
O grounding é essencial para que a mulher possa vivenciar o trabalho de parto e parto de forma natural. Só com um suficiente ancoramento no seu próprio corpo, a energia selvagem e primitiva que naturalmente se manifestam no parto encontrará as condições propícias para poder se manifestar e transformar o parto numa experiência plena, num grande ritual de passagem onde possa nascer o filho e nascer a nova mulher em forma de mãe.

7.  Bibliografia
•  Leboyer, Frédérick. Se Me Contassem O Parto. Ground.
•  Lowen, Alexander. Bioenergética. Summus.
•  Lowen, Alexander e Lowen Leslie. Exercícios de Bioenergética. Agora.
•  Weigand, Otília. Grounding e Autonomia. Person
•  Slides de Anatomia. Jesica Sanchez Loli e Marcel Queiroz (Aula Anatomia e Fisiologia do Parto).
•  Texto: Fisiologia do parto. Jesica Sanchez Loli e Marcel Queiroz (Aula Anatomia e Fisiologia do Parto).
•  Leloup, Jean-Yves. Uma Arte de Cuidar – Estilo Alexandrino. Vozes.
........................................................................
*Numinoso: Sagrado, fascinante, aterrorizador, que transcende os limites da nossa identidade. Experiência da dimensão sagrada da vida, quando se rompe a divisa entre o divino e o humano.
Angelica Pio

Trabalho de conclusão do Curso de Educadora Perinatal ONG Amigas do Parto. Maio/2012: http://www.amigasdopartoprofissionais.com/2012/07/grounding-e-parto.html



Relato de uma Parto Hospitalar Humanizado

Tenho três filhos. Todos nasceram de parto normal.

Vou narrar aqui o meu terceiro parto.

Era 2 de janeiro de 1991, na cidade de Porto Alegre.

Acordei cedo sentindo contrações diferentes. Eu sabia que era o aviso de que chegara o dia do parto. Eram contrações muito precisas e aconteciam numa frequência constante.

Avisei meu médico. Ele já tinha me acompanhado no segundo parto. Acreditou no que eu estava dizendo: que esse era o dia. Eu, meu marido e ele nos encontramos à tarde.  Já tínhamos combinado que eu ficaria em casa até a hora que eu achasse que deveria ir para o hospital.

Assim, fiquei na minha casa o dia todo com minha família. O calor era intenso...  No final da tarde, fui caminhar pelas ruas calmas do bairro Menino Deus, onde morava. Eu e meu marido caminhamos pela Av. Ganzo, repleta de árvores e flores. Naquela época essa rua era quase sem movimento de carros.
Em algum momento, à noite, avisei o médico e fomos para o hospital.

Meu marido ficou o tempo todo comigo.

O médico me avisou que ficaria repousando numa sala enquanto eu ficava à vontade. Eu podia fazer o que quisesse. Podia deitar, podia caminhar... Às vezes ele vinha espiar e ver como eu estava. Eu só sorria e dizia que estava tudo bem.  Fiquei caminhando, de braço com meu marido. Quando as contrações vinham, eu me apoiava nele e me sentia segura. Podia abraçá-lo. Podia ser amparada e acariciada. Eu estava confiante. Não tinha enfermeiras, não tinha equipe médica. Ninguém.

Ninguém para dizer que eu não podia fazer “fiasco”, que não podia gemer... Ninguém pra me dizer que eu tinha que ficar deitada, ninguém pra me dar “sorinho” (ocitocina sintética), ninguém pra fazer enema, nem tricotomia pubiana.  Ninguém para dizer que se não parisse em x minutos, teria que fazer uma cesariana. Ninguém para gritar: “Força, mãe! Empurra! Tu não tá ajudando!”

Não prenderam meus cabelos enormes, não mandaram eu tirar brincos, pulseiras, nem a corrente com a ágata que eu tinha pendurada no pescoço.
O mundo era eu, meu marido e minha filha que estava nascendo. E o médico, que eu sentia como um amigo, que estava na sala ao lado respeitando o meu momento.

Quando eu senti aquela força irresistível, mágica e selvagem brotando dentro de mim, aquela força que eu já conhecia, e que era a vontade de me agachar e expelir, avisei o médico e fomos encaminhados para uma sala que estava pronta me esperando.

Uma sala na penumbra. Muitos panos azuis no chão faziam um ninho que parecia um céu.

Meu marido sentou numa escada estrategicamente colocada para me apoiar pelas costas e eu me acocorei no ninho azul.

O médico sorria e falava algumas palavras de apoio, que não consigo lembrar. Só lembro quando ele disse que na próxima contração minha filha nasceria. E assim foi.

O médico aparou, enquanto ela deslizava no céu azul feito de lençóis.

Sem peridural, sem episiotomia, sem fórceps.

Eu a peguei. Eu a coloquei no meu peito. Do lado esquerdo, instintivamente, para que ela ouvisse meu coração, como ela estava acostumada a ouvir quando estava dentro de mim.

Nessa hora o tempo não existe. Duas almas unidas num imenso amor.

De repente o médico mostrou como o cordão tinha parado de pulsar. E me ofereceu uma tesoura para que eu mesma cortasse o cordão. Eu peguei a tesoura e eu cortei o cordão, com a certeza de que ele não pulsava mais. Ficamos assim, juntinhas.

Esse médico tinha uma parceria com um  pediatra que o acompanhava e ambos faziam uma bela dupla, respeitando esse momento tão sagrado. Nada de colírios, nada de aspirações, nada de intervenções...

Estava com a consciência alterada, o que acontece naturalmente quando não se interfere no processo natural, e não lembro muito das coisas concretas, mas lembro que num momento o pai pegou a filha e saiu dançando e cantando pela sala. O médico sorria. Minha alma estava em Paz!!!

Ela nasceu passando da 1h do dia 3. Na mesma manhã fomos para casa.

Minha gratidão a esse ser que já não está mais entre nós.  Médico carismático, corajoso e amoroso.

Mas sabemos que as histórias de partos hospitalares estão longe de se parecerem com a narrativa acima.

Neste momento estamos vulneráveis e precisamos da assistência de alguém em quem confiamos e sabemos que vai agir quando necessário, de acordo com a real necessidade e de acordo com o desejo da mulher.

Alguém que saiba se posicionar quando necessário para permitir que o parto transcorra de forma respeitosa e amorosa.

O que vemos são Intervenções desnecessárias e prejudiciais, humilhações, desrespeito, maus tratos...

Eu penso que hospital não deveria ser lugar de nascimento! Hospital é lugar para tratar de doentes.

Precisamos de Casas de Parto!

Casas de Parto que possam oferecer o aconchego, conforto e privacidade necessários para um parto natural e ao mesmo tempo oferecer todos os recursos médicos no caso de necessidade.

E se a mulher optar pelo hospital, que assim seja! Mas que seja um parto humanizado, com respeito à mulher, ao pai, ao bebê, à VIDA!

Que seja respeitada a opção de cada uma e para que todas tenham a assistência que precisam e escolhem em qualquer lugar e em qualquer tempo.

Angelica Pio

Pra não esquecer...

"...Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

No dia a dia, às vezes esquecemos de coisas tão simples... Lembrando Pessoa:

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


(Fernando Pessoa)
Para Ser Grande

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Fernando Pessoa

Coração: Vida - Morte - Renascimento

Só estamos vivos de verdade quando permitimos que a vida aconteça no centro do nosso peito.

O pulsar da vida nunca é completo, pleno em todo o seu potencial, se o coração está fechado, se o que somos no fundo da nossa alma, se aquilo que trouxemos pra expressar, está anestesiado, sem movimento.

Podemos trabalhar, casar, ter filhos... muitos amigos... amantes... ter sucesso profissional... passear, ir a festas...

Mas nós sabemos que mesmo assim, não estamos vivos. 


Só um pedaço vivos!

Muitas vezes preenchemos todo o nosso tempo com muitas atividades, responsabilidades e compromissos... para não percebermos a morte em nós.

Dedicamos nossa vida para um companheiro, para um trabalho, para os filhos... porque doeria muito nos darmos conta de que estamos vivos pela metade.

Mas ela está lá! A vida! Ela está dentro do nosso peito.

Por que no peito?

Porque aí está o nosso centro. É daí que flui a energia para todas as outras partes do corpo.

É do peito que emana a verdade que tanto ansiamos expressar, desde quando somos muito pequenos.

Mas essa verdade, tão sagrada, muitas vezes não é bem aceita pelos adultos que amamos, que cuidam de nós, dos quais dependemos para viver, física e emocionalmente.

Pois, quando a criança percebe que seus sentimentos, suas emoções, sua brincadeiras,,, não foram bem aceitas pelos seus cuidadores, ela entende que ela não está sendo aceita como é. Para a criança, o que ela expressa (mesmo seu choro e suas fezes!) está vitalmente vinculado ao que ela é.

Então, inconscientemente, começa o processo de morte. Quando passamos a impedir a livre expressão da nossa alma. Aprendemos que é preciso deixar nosso eu mais autêntico guardado lá no fundo, fechado 'a sete chaves', no nosso peito.

E escondemos tão bem, que esquecemos onde ficou... esquecemos o que escondemos... Esquecemos que escondemos...

Aprendemos a descobrir o que os outros esperam de nós: o que devemos pensar, sentir, fazer... ser...

Nosso “centro” passa a ser a cabeça!

E nos moldamos, nos adaptamos... e vamos morrendo aos poucos, um pouco... ou muito...

Sem perceber, vivemos uma vida que não é nossa... passamos a ser quem não somos ou somos pela metade.

Vida... Verdade... A nossa Vida. A nossa verdade.

Cabeça? Peito!

É preciso despertá-la! A Vida!

É preciso dar autorização para que ela se mostre. Já que antes foi desautorizada... Permitir!

Aos poucos, sem pressa, sem obrigação... mas com confiança, e serenidade...

... Renascendo a cada dia no altar da nossa Fênix.






Angelica Pio

Só Um Toque

Saber, todo mundo sabe... falar, todo mundo fala...
Livros... esses não faltam...
Mas, na prática, na vida real, no nosso dia-a-dia... quem realmente se permite ter tempo e disponibilidade interior para parar e...

tocar, acariciar, massagear... fazer contato (com tato)?
E para se deixar tocar?
Não o toque que invade, suga, descarrega...
Mas o toque que:




aceita
acolhe
ama
liberta
desvela
revela
nutre...

Como tocamos quando...
fazemos amor?
trocamos a fralda do bebê?
abraçamos o nosso filho?
damos banho na criança, no doente ou no velho?
e quando lavamos nosso próprio corpo? ...
Aqui fica um convite: para experimentar, tentar, se permitir...

Tocar.
E fazer do toque um gesto sagrado.
E de um modo especial, um convite para criar uma corrente de conscientização prática para ajudar aqueles que chegam agora no Planeta.

Se eles forem bem recebidos e tocados com amor desde o início de suas vidas, podemos ter a esperança de um Novo Ser Humano e uma Nova Terra.
Toque seu filho com amor! Não importa a idade que ele tenha...

Angelica Pio
O Despertar do Coração
Jean-Yves Leloup



“Quando fores te engajar em um caminho, pergunta a ti mesmo se esse caminho possui um coração”, disse Dom Juan, o iniciador de Carlos Castañeda.

Não se trata do coração físico, sequer do coração afetivo e emocional, mas do coração como centro de integração de todas as faculdades da pessoa; o coração como “centro” do homem – praticamente todas as grandes tradições da humanidade dão testemunho disso.

Um dos dramas do homem contemporâneo é ter perdido o seu coração. Não existe nada entre o cérebro e o sexo; às vezes apenas uma imensa saudade... mas frequentemente passamos das mais frias análises aos excessos pulsantes mais levianos. Dessa maneira, o homem torna-se cada vez mais esquizofrênico, tendo perdido o seu centro de integração, de “personalização” do seu ser: o coração.

Uma inteligência sem coração não é realmente humana. Quando os bancos de memória de um computador são decuplicados, ele torna-se mais “inteligente” do que o homem. A inteligência sem o coração, “a ciência sem consciência”, ilumina nossas sociedades com uma luz fria onde o homem “se gela”, se analisa e se entedia...

Uma sexualidade sem coração não é uma sexualidade realmente humana, qualquer que seja a quantidade das nossas intensidades pulsantes, é apenas em uma relação de pessoa a pessoa que o prazer efêmero pode se transformar em felicidade permanente. “No verdadeiro amor”, dizia Nietzsche, “é a alma que envolve o corpo.”

É o coração que dá um sentido aos nossos enlaces, assim como é o coração que pode orientar as descobertas da inteligência (cf. a física nuclear) em um sentido positivo à vida da humanidade.

Vivemos na época das luzes néon e dos cobertores elétricos, das luzes frias e dos calores opacos. Não é possível se aquecer junto a uma luz néon, não nos iluminamos junto a um cobertor elétrico. Perdemos a chama que é ao mesmo tempo luz e calor. “Redire ad cor” – “volta ao teu coração”: as palavras do profeta são mais atuais do que nunca."